El Nido não é uma praia. É um município inteiro na ponta norte da ilha de Palawan, nas Filipinas, funcionando como porta de entrada para o arquipélago de Bacuit. Revistas como Travel + Leisure e Condé Nast Traveler votam Palawan como “Melhor Ilha do Mundo” de forma recorrente — e as paisagens marinhas de El Nido são o motivo principal.
A identidade geográfica de El Nido é formada por imensos paredões de calcário cinza-escuro que emergem verticalmente das águas cristalinas e verde-esmeralda do Mar de Sulu. Essa geologia lembra Ha Long Bay no Vietnã ou Krabi na Tailândia, mas com um grau de integridade ambiental notavelmente maior. Entre esses paredões escondem-se dezenas de enseadas, praias intocadas e lagoas fechadas. Locais como a Praia Escondida — uma faixa de areia oculta atrás de uma parede de calcário, acessível apenas nadando por uma abertura estreita — e a Lagoa Secreta — um conjunto de água cercado completamente por falésias verticais, acessado por um buraco na rocha — ilustram o que torna esse lugar único no Pacífico.
A vila de El Nido Proper é agitada, caótica e em expansão rápida, com hotéis, restaurantes e lojas de mergulho. Mas a magia está no mar. Os visitantes passam os dias em bangkas — os tradicionais barcos de madeira com estabilizadores laterais filipinos — navegando pelo arquipélago.
Reserva marinha e conservação
O Arquipélago de Bacuit e a região ao redor são protegidos como Área de Recursos Gerenciados El Nido-Taytay, o maior santuário marinho das Filipinas. O local abriga mais de 800 espécies de peixes, 100 espécies de coral, cinco espécies de tartarugas marinhas ameaçadas e o dugongo (peixe-boi). Diante do impacto do crescimento rápido do turismo, o governo local implementou regulamentações ambientais sérias: proibição de plástico descartável em passeios de barco, limitação de capacidade diária em áreas sensíveis como as Lagoas Grande e Pequena, e zonas sem âncora onde os barcos devem usar boias de amarração para não devastar os recifes.
Como chegar
Chegar a El Nido exige algum esforço, pois fica numa região relativamente remota das Filipinas — embora a infraestrutura tenha melhorado substancialmente nos últimos anos.
Voando direto para El Nido (Aeroporto Lio - ENI): A opção mais rápida e confortável. A AirSWIFT, uma companhia boutique, opera múltiplos voos diários diretos de Manila (MNL), Cebu (CEB) e Boracay (Caticlan - MPH) para o Aeroporto Lio em El Nido. O aeroporto é moderno e pequeno, a 15 minutos de triciclo do centro.
Voando para Puerto Princesa (PPS): A rota clássica e mais econômica. O Aeroporto Internacional de Puerto Princesa recebe dezenas de voos domésticos diários de hubs principais, a preços bem menores do que Lio. El Nido fica a cerca de 260 quilômetros ao norte. Da cidade, pegue uma van turística compartilhada ou ônibus público até El Nido — percurso de 5 a 6 horas por uma rodovia sinuosa. As vans partem constantemente do aeroporto e do terminal San Jose.
Balsa de Coron: Para quem faz island hopping em Palawan, é possível pegar uma balsa rápida de Coron diretamente ao porto de El Nido. O percurso dura cerca de 4 a 5 horas, mas as travessias são frequentemente canceladas em mau tempo.
De São Paulo: Não há voos diretos para as Filipinas. A conexão mais comum é via Manila, com escalas em Singapura, Hong Kong, Tóquio ou Seul. Tempo total de viagem: entre 24 e 30 horas.
A melhor época
As Filipinas têm duas estações distintas, que determinam a segurança e o prazer dos passeios de barco.
Estação seca (dezembro a maio): Alta temporada e, sem dúvida, a melhor época para visitar El Nido. Céu aberto, oceano calmo e ótima visibilidade fazem dos passeios uma experiência sem igual. Março a maio são os meses mais quentes. Também é o período mais caro e movimentado.
Estação chuvosa / tufões (junho a novembro): Chuvas pesadas, ventos fortes e risco constante de tufões. A Guarda Costeira filipina frequentemente cancela todos os passeios de barco por dias inteiros quando uma tempestade se aproxima. Visitar nessa época é uma aposta: preços baixos e praias vazias, mas com risco real de ficar preso na vila sem conseguir ver o arquipélago.
Onde ficar
El Nido oferece um contraste extremo entre hospedagens simples na vila e resorts exclusivos em ilhas particulares.
El Nido Town Proper (Poblacion): O hub movimentado. Denso, barulhento, sem praia para nadar na baía (repleta de barcos de passeio). Mas oferece as hospedagens mais baratas, a maior concentração de restaurantes e bares e a comodidade de chegar de manhã a pé ao barco de passeio.
Corong-Corong: A 5 minutos de triciclo ao sul da vila. Muito mais tranquilo, com vista para oeste (pores do sol sobre o arquipélago) e bons hotéis boutique e restaurantes à beira-mar (como La Plage e Republica Sunset Bar). A praia é rasa e não é boa para nadar, mas é uma excelente base.
Lio Beach: Ao norte do aeroporto, dentro de um resort de ecoturismo da Ayala Land. Ampla praia, infraestrutura moderna, hotéis de alto padrão (como o Seda Lio) e atmosfera tranquila e organizada — mas falta a autenticidade crua da vila.
Resorts em ilhas particulares: Para o máximo de luxo, resorts como El Nido Resorts (Ilhas Miniloc, Lagen e Pangulasian) ou Cauayan Island Resort ficam dentro do próprio Arquipélago de Bacuit. Oferecem bangalôs sobre a água, praias privadas e acesso às lagoas antes dos excursionistas da cidade chegarem. São excepcionalmente caros.
O que fazer
A essência de El Nido é o island hopping. O governo padronizou os passeios em quatro rotas (Tour A, B, C e D) para administrar o tráfego de barcos.
Tour A: As lagoas e as praias
O mais famoso. Inclui tipicamente a Lagoa Grande (uma via de água entre paredões onde é obrigatório alugar caiaque para entrar), a Lagoa Secreta (acessada por um buraco na rocha), Shimizu Island (para snorkel) e Seven Commandos Beach.
Tour C: Praias escondidas e santuários
Considerado por muitos o mais impressionante cenicamente, mas em mar aberto que pode ser mais agitado. Inclui a Praia Escondida (nada-se por uma abertura estreita no calcário), Secret Beach, Matinloc Shrine (santuário abandonado com mirante panorâmico espetacular) e Helicopter Island.
Mergulho autônomo
Enquanto Coron (ao norte) é famoso por mergulho em naufrágios, El Nido oferece mergulho excelente em recifes. São mais de 30 pontos de mergulho na Baía de Bacuit. Água quente, boa visibilidade e presença frequente de tartarugas, raias e tubarões de ponta-preta.
Terra firme: Praia Nacpan
Para um intervalo dos barcos, alugue uma moto ou contrate um triciclo e siga em direção norte de El Nido por cerca de 45 minutos até a Praia Nacpan. São 4 quilômetros de areia dourada ladeados por palmeiras, com ondas suaves, alguns bares rústicos e um ritmo totalmente diferente das enseadas do arquipélago.
O que saber
Há caixas eletrônicos em El Nido? Sim, mas são notoriamente instáveis. Os ATMs da vila e do Lio Estate frequentemente ficam sem dinheiro ou saem do ar por oscilações de energia. Leve uma quantidade significativa de pesos filipinos em espécie de Manila ou Puerto Princesa.
Preciso reservar os passeios com antecedência? Na alta temporada (dezembro a abril), sim — especialmente o Tour A, que tem limite diário de visitantes na Lagoa Grande. Fora do pico, dá para reservar no dia anterior pela pousada ou nas agências da vila.
Há taxa ambiental? Sim. Todo visitante paga a Taxa de Desenvolvimento Ecoturístico (ETDF), atualmente 200 PHP (cerca de R$20). O ticket é válido por 10 dias e é obrigatório para embarcar em qualquer barco de passeio.
A água da torneira é potável? Absolutamente não. El Nido tem histórico de problemas com saneamento à medida que o desenvolvimento superou a infraestrutura. Não beba água da torneira — muitos viajantes aconselham nem usá-la para escovar os dentes. Consuma apenas água engarrafada ou purificada.
Há Wi-Fi e sinal de celular? A conectividade em Palawan é geralmente muito precária. Embora a maioria dos hotéis e restaurantes na vila ofereça Wi-Fi, as velocidades costumam ser lentas e cortes de energia ainda ocorrem com alguma regularidade. No arquipélago, a bordo do barco, não há sinal.